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Quando se fala em segurança alimentar, a agricultura orgânica está no topo da lista, pois dispensa totalmente os agrotóxicos e fertilizantes solúveis ou sintéticos. Em Santa Catarina, ela cresce em ritmo acelerado: entre 2010 e 2018, o número de produtores subiu 211%. Segundo o Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos, os catarinenses ocupam a quarta colocação no País – são mais de 7% dos produtores registrados. Dos 1.251 produtores certificados no Estado, 70% produzem hortaliças.

A viabilidade econômica impulsiona esse crescimento: comparado à produção convencional, o sistema orgânico oferece menor custo de produção e maior preço de venda. O “vilão” tomate é um bom exemplo: produzir 1 hectare no sistema convencional custa R$76 mil, enquanto no sistema orgânico custa R$67 mil. Já o lucro líquido por hectare sobe de R$173 mil para R$465 mil quando se adota o sistema orgânico.

Para alcançar esses números, o agricultor precisa adotar uma solução da Epagri: a produção em abrigos de cultivo. São estruturas cobertas por plástico e revestidas por tela nas laterais onde as plantas se desenvolvem protegidas de pragas e doenças. “Algumas pragas do tomateiro e do pepineiro são dificilmente controladas por produtos alternativos usados na agricultura orgânica. Então desenvolvemos um método físico para esse controle”, conta o engenheiro-agrônomo Euclides Schallenberger, pesquisador da Epagri na Estação Experimental de Itajaí.

A cobertura evita a chuva sobre a planta, desfavorecendo o surgimento de doenças. Um sistema de irrigação fornece água junto às raízes, gota a gota, na quantidade exata. “A umidade na folha favorece o aparecimento de doenças, e como não se pode usar fungicidas, manter a planta seca deixa ela praticamente imune a esses problemas”, explica o pesquisador.

Colheita maior

As plantas respondem em produtividade: dentro de abrigos, a colheita de tomate orgânico alcança 55,2 toneladas por hectare, enquanto o cultivo a céu aberto rende 41,6 toneladas por hectare. Na produção orgânica de pepino para picles, o lucro líquido por hectare sobe de R$39,7 para R$70,5 mil quando as plantas vão para os abrigos.

Para culturas como pimentão, alface e morango, o cultivo em abrigos também é recomendado no sistema orgânico, mas sem as telas laterais. Enquanto o peso médio do pé de alface cultivado a céu aberto é de 339 gramas, em abrigo sobe para 438 gramas. A Epagri estima que pelo menos 90% da produção orgânica de hortaliças catarinense seja praticada sob essas estruturas.

Abrigo é prioridade

Um dos adeptos é Airton Deon, que cultiva tomate, pimentão, morango, pepino, couve-flor, repolho e outras hortaliças orgânicas em Santo Amaro da Imperatriz. “O abrigo tem que ser prioridade na produção de hortaliça orgânica. Até tentei produzir tomate a céu a aberto, mas não deu certo”, conta.

Trabalhando em uma área de 1,5 hectare na associação Recanto da Natureza, Airton consegue sustentar a família de quatro pessoas. O resultado do pimentão é um dos que mais orgulham o produtor: em 500 pés, ele conseguiu colher 100 quilos. “Escolhi produzir orgânicos porque não vai produto químico. Além disso, o custo de produção é muito menor que no sistema convencional. Até o esterco e o composto a gente consegue produzir na propriedade”, conta Airton, que já trabalhou como pedreiro e caseiro e virou olericultor há apenas um ano.

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